O tapetão amarelo é resultado de um raciocínio de construção do plano de cena desimpedido, com oportunidades únicas de observação para cada posição do teatro de arena do parque villa-lobos. O panótico, a peça sem fundos, e os personagens interagindo sem um plano principal de cena dão um interessante aspecto de cotidiano para as cenas construídas em cima do trabalho do Henfil. O amarelo forte trabalha com as personagens em figurinos mais escuros para dar foco ao plano de cena central e para chamar a atenção do transeunte. Os personagens utilizam artifícios disponíveis no desenho geométrico aberto do tapete para arrancar desse plano árido amarelo, simbologia do Brasil-caatinga, ainda por ser feito pela cultura ocidental dominante, os símbolos da sociedade que o cartunista e o grupo queriam apresentar: o estado burocrático, a mídia hipnotizante, a cidade brutalizada pela repressão e pobreza.
Os objetos de cena, seguindo o partido já construído por atores, figurinistas e cenógrafos por trabalhos anteriores, são construídos através de objetos deslocados de seu uso cotidiano tradicional para encarar uma interpretação cômica ou fantástica.

fotos: lucas girard e giani spina

lucas girard
luiz florence
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