| ceu cidade dutra | 13 e 14 de agosto |
| Av. Interlagos, 7350 - Cidade Dutra Z/S | |
Estréia?
Nossas apresentações no CEU Cidade Dutra deram ânimo ao
grupo. Terminaram eufóricas como uma estréia. Foram alguns parentes,
amigos, um ótimo público da região (muitos adultos!)
e até a vereadora Soninha – uma política vendo essa peça...
O espaço aberto do CEU é bem amplo e espaçoso, ideal
para apresentação. Eu havia trabalhado o ano passado inteiro
neste CEU no projeto formação de público e estava empolgado
em apresentar lá.
No primeiro dia um grande público acompanhou nosso aquecimento, com
um céu límpido e azul pra compor. Começamos com uma gafe,
mas rápido nos superamos. Na hora de iniciar o cortejo, cada um cantou
“Navegar é preciso!” em uma hora, só faltou pararmos,
dar a mão e recomeçar. Mas nos olhamos sorridentes, assumimos
o erro e bola pra frente. Formamos a arena um pouco aberta nas laterais, mas
já estávamos bons em ajeitar o público. Até cadeiras
pras senhoras foram colocadas.
Tínhamos feito pequenos cortes e ajustes na semana e a peça
fluiu sem sustos, com o público acompanhando todos os momentos. O grande
êxito foi a ópera, que antes nos dava a impressão de ser
uma barriga, e que manteve a atenção geral. Parecia que todas
as pausas que dávamos estavam preenchidas. Que o público estava
acompanhando cada detalhe. A crise política tinha chegado ao seu auge
na semana e acho que isso ajudou as pessoas a se interessarem pela peça.
Quase um quanto pior, melhor. Tragicômico.
Terminado o primeiro dia, éramos só alegria. Um alívio,
a peça funcionava por completo, enfim! No dia seguinte tínhamos
que manter o pique: era dia dos pais, e estávamos sob a possível
“maldição do segundo dia”.
Logo no aquecimento um susto: os seguranças traziam cadeiras e mais
cadeiras para a platéia se sentar, formando um teatrinho ao ar livre.
Não tínhamos começado a peça, nem feito o cortejo
e as pessoas já nos “observavam” como uma platéia
no teatro. Quando começou a música, o aviso: “queridos
espectadores, podem pegar suas cadeiras pois a peça acontecerá
pelo espaço!”. O público se locomoveu e formamos a arena
com tranqüilidade.
Isso colocado, um bom público surpreendeu de novo nossas expectativas
(afinal era dia dos pais) e tudo foi nos conformes: fanfarra, desordem e alegria
em nossa farsa.
Nossa polêmica nesse CEU foi o que falar depois da peça. Discutimos
se valia nos posicionarmos textualmente diante da crise. Falei nomes, partidos,
bois e vacas no primeiro dia. No segundo, achamos melhor eu não falar.
Parecia que o que queríamos discursar já estava na peça,
e o que queríamos informar, talvez restringisse o significado de nosso
trabalho. Sim, nosso conteúdo já estava na peça. Pelo
menos essa foi minha gratificante sensação.
Pedro Granato - diretor





