ceu cidade dutra 13 e 14 de agosto

Estréia?
Nossas apresentações no CEU Cidade Dutra deram ânimo ao grupo. Terminaram eufóricas como uma estréia. Foram alguns parentes, amigos, um ótimo público da região (muitos adultos!) e até a vereadora Soninha – uma política vendo essa peça...
O espaço aberto do CEU é bem amplo e espaçoso, ideal para apresentação. Eu havia trabalhado o ano passado inteiro neste CEU no projeto formação de público e estava empolgado em apresentar lá.
No primeiro dia um grande público acompanhou nosso aquecimento, com um céu límpido e azul pra compor. Começamos com uma gafe, mas rápido nos superamos. Na hora de iniciar o cortejo, cada um cantou “Navegar é preciso!” em uma hora, só faltou pararmos, dar a mão e recomeçar. Mas nos olhamos sorridentes, assumimos o erro e bola pra frente. Formamos a arena um pouco aberta nas laterais, mas já estávamos bons em ajeitar o público. Até cadeiras pras senhoras foram colocadas.
Tínhamos feito pequenos cortes e ajustes na semana e a peça fluiu sem sustos, com o público acompanhando todos os momentos. O grande êxito foi a ópera, que antes nos dava a impressão de ser uma barriga, e que manteve a atenção geral. Parecia que todas as pausas que dávamos estavam preenchidas. Que o público estava acompanhando cada detalhe. A crise política tinha chegado ao seu auge na semana e acho que isso ajudou as pessoas a se interessarem pela peça. Quase um quanto pior, melhor. Tragicômico.
Terminado o primeiro dia, éramos só alegria. Um alívio, a peça funcionava por completo, enfim! No dia seguinte tínhamos que manter o pique: era dia dos pais, e estávamos sob a possível “maldição do segundo dia”.
Logo no aquecimento um susto: os seguranças traziam cadeiras e mais cadeiras para a platéia se sentar, formando um teatrinho ao ar livre. Não tínhamos começado a peça, nem feito o cortejo e as pessoas já nos “observavam” como uma platéia no teatro. Quando começou a música, o aviso: “queridos espectadores, podem pegar suas cadeiras pois a peça acontecerá pelo espaço!”. O público se locomoveu e formamos a arena com tranqüilidade.
Isso colocado, um bom público surpreendeu de novo nossas expectativas (afinal era dia dos pais) e tudo foi nos conformes: fanfarra, desordem e alegria em nossa farsa.
Nossa polêmica nesse CEU foi o que falar depois da peça. Discutimos se valia nos posicionarmos textualmente diante da crise. Falei nomes, partidos, bois e vacas no primeiro dia. No segundo, achamos melhor eu não falar. Parecia que o que queríamos discursar já estava na peça, e o que queríamos informar, talvez restringisse o significado de nosso trabalho. Sim, nosso conteúdo já estava na peça. Pelo menos essa foi minha gratificante sensação.

Pedro Granato - diretor