| parque do Ibirapuera | 05 e 06 de agosto |
| CENTRO | |
A gente chegou lá e foi montando o carrinho.
As bicicletas iam e vinham, umas mais rápidas, outras mais altas e
umas com muitas rodas.
“Agora a peça está madura.”
“Já sabemos o que temos que fazer.”
Entre a Praça da Paz e a Avenida Pedro Álvares Cabral, no fim
da Marquise, do lado oposto da Bienal, a Gozolândia se instaurou rápido.
Os ciclistas pararam de pedalar um pouquinho.
Alguns amigos ali, na platéia que é o chão de concreto
cercado de grama por todos os lados.
O Ibirapuera sorriu aberto para a farsa democrática e, com toda a delicadeza
própria de um parque de seu porte, fez uma coceguinha no IVO 60, uma
coceira de ver o público do centro.
Cócegas assim são mais de pensar mesmo.
Cócegas de pensar no público que o IVO 60 quer.
No público que quer o IVO 60.
No público que o IVO 60 precisa (?).
Cócegas de se perguntar como é que o teatro de rua - assim,
na cara da galera, chega de caravela e desembarca no meio do Parque - vai
resolver esse problema.
Depois de apresentar em muitos CEU’s, depois de apresentar em vários
Estados e circular e rodar mais do que ciclista do Ibirapuera. Depois de viajar
de casa até a Cuiabá ou até Guaianazes. Depois disso
tudo, o que é que se faz com essa vontade de parar e esperar o público
voltar?
Com essa vontade de convidar aquele público que tem um interesse enorme
por teatro e que vai até o centro mesmo morando na periferia só
pra ver uma peça?
Quem faz teatro na rua tem esse dilema, acho.
E começou assim a temporada (que isso é o que a gente do IVO
chama de temporada).
Vem eleição logo aí e a peça vai ganhando uns
contornos diferentes. Um ou outro gesto e frasezinha mudam de figura e surpreendem
o pobre ator que o fez ou falou.
Talvez agora o nosso mundo esteja maduro, mas falamos de coisas verdes e embrionárias,
mais uma vez.
Não faço idéia do que faremos no futuro, sei que fizemos
um bocado de coisas e isso nos levará a fazer outras tantas.
A gente desmontou o carrinho e as bicicletas iam e vinham, lépidas.
Pedro Felicio
...e enquanto eu afinava a guitarra uma pequenininha de maria-chiquinha e uns sete anos: “tio, tio... meu pai falou... toca Raul!”
Quem vive de história?
Apresentamos em frente ao Museu Afro-Brasil. Precisávamos de um ponto
de referência pros jornais, amigos e público cativo. Podia parecer
um deserto, os seguranças não sabiam ao certo onde se localizava.
Que museu é esse?
Por isso, quando na peça os portugueses trazem à força
o tal "povo escuro de um continente distante" pude apontar por um
instante a placa do museu.
E se a participação negra em nossa peça é curta,
pelo menos a porta de entrada foi mostrada. E com o peso de um navio-museu
ao fundo, teve o coro silencioso de séculos de história.
Pedro Granato, que a partir desse dia não
alisou mais seus cachos para fazer a peça.
Não faça como os seguranças do próprio parque
que não conheciam o museu e fizeram muita gente se atrasar. visite:
http://www.museuafrobrasil.com.br/




