| parque da água branca | 07 e 08 de outubro |
ZONA NORTE
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É um parque aqui do lado, no meio da Francisco Matarazzo. Tem um cheiro
de bicho que vem dos pavões e outros galináceos que transitam
livremente.
Chama-se Parque Dr. Fernando Costa, mas o apelido carinhoso é Água
Branca.
É um bom lugar pra se chamar os amigos, comer milho cozido, assistir
aulas de equitação, conhecer de ornitologia, passear com crianças
e apresentar “Gozolândia”.
Uma coisa especialmente me chamou atenção:
Mais uma vez vi rostos conhecidos na platéia. É um dos raros
momentos em que vi rostos conhecidos na platéia.
Os “artistas vocacionais”, de diversos grupos de várias
partes da cidade, apareceram. Alguns grupos foram trazidos por Artistas Orientadores,
seus “professores” de teatro. Alguns já não têm
mais “A.O.s”, vieram com as próprias pernas. O projeto
Teatro Vocacional orienta grupos em diversos equipamentos públicos
de cultura, para quem não sabe.
Os grupos de teatro vocacional nos acompanham desde a circulação
pelos CEU’s, no ano passado. Mariana e Flávia são Orientadoras
do projeto Teatro Vocacional. Danilo e Adriane, que são responsáveis
pela monitoria após a peça – captura em vídeo de
depoimentos do público – fizeram parte do projeto como alunos,
hoje, trabalham com teatro.
Talvez por conta da presença no Parque da Água Branca de meus
ex-alunos, ou melhor, dos Ladrões de Foco, grupo que orientei durante
minha passagem pelo projeto, minha visão tenha se focado sobre a relação
que o IVO tem com os grupos que nasceram sob essa ação.
De certo que a importância de uma ação de política
pública como o Teatro Vocacional faz muita diferença na vida
cultural da cidade. Na vida do IVO 60 faz.
Talvez ainda eu esteja me valendo deste espaço para fazer uma homenagem
aos grupos de teatro vocacional, aos muito jovens, adultos e crianças
que passaram e passam por ensaios, reuniões e apresentações
teatrais e por esta via tornam-se cidadãos.
Na Vila Maria, no Itaim Paulista, na Brasilândia, em São Mateus,
na Cidade Tiradentes, na Lapa, em Pirituba.
Esse foi o penúltimo parque da temporada, logo após as eleições.
Por algum motivo, possivelmente por causa de uma saudade e de uma esperança
que sinto quando vejo os Ladrões de Foco ou o Bolinho de Arroz ou o
Teatro Parabelo, decidi falar do teatro vocacional.
Que a luta para torná-lo uma ação pública, para
manter ou retomar suas bases de política pública continue.
É assim que renovamos não só o teatro, mas a cidadania.
Pedro Felicio



