parque do carmo 16 e 17 setembro


A arte é o espaço que o ser humano encontra para expressar suas emoções e revelar suas questões.
Onde encontra asas para alcançar lugares inexplorados.
Será?
Quem deu asas no Parque do Carmo foi o “Red Bull”.
Aquele energético quem tem como slogan: “Red Bul te dá aasaaaaas”.
Foi o Red Bull que alcançou o Parque do Carmo, e não a arte.
Foi o Red Bull que montou um palco gigantesco e convocou o Luciano Huck para apresentar uma competição de “objetos voadores”.
No sábado o parque estava lotado, mas de gente trabalhando na construção dos palcos do evento da Red Bull. Pessoas passeando, andando de bicicleta, crianças brincando, isso não tinha. Talvez porque chovesse em São Paulo. Aquela garoa fina e gelada.
Nós fomos até lá, nos preparamos para a peça e ficamos torcendo para que o teste de som: “1, 2, testando”, parasse antes do começo da peça. Ele não parou. A chuva também não. Não fizemos a peça no sábado, pela primeira vez nessa temporada, mas escolhemos onde ela seria feita no domingo: no “jardim das cerejeiras”, um lugar reservado, longe do agito do palco da Red Bull.
Domingo chegamos e percebemos que o som do evento ocupava todo o parque. Seria impossível fazer a peça enquanto as “asas energéticas” não tivessem desistido, pelo menos por um instante, de dominar a Zona Leste.
Então esperamos o final do evento. O teatro de rua nada pode contra o energético.
Eles acabaram na hora prevista. Estava frio, com um ar de chuva, o Luciano Huck queria ir embora, devia ter mais o que fazer. Ainda bem.
Resolvemos começar. Não mais no “jardim das cerejeiras” e sim ao lado do lago onde mais pessoas circulavam.
Uma grande roda se formou. Muitos alunos do Projeto Teatro Vocacional do CEU São Rafael estavam lá, muitas outras pessoas se interessaram pelo teatro e a peça aconteceu em paz.

Mariana Leite