parque villa lobos 14 e 15 de outubro

Ultimas apresentações depois de meses rodando a cidade. Entre apresentar no anfiteatro de pedra do parque (que merece ser muito utilizado ainda) e manter nossa estrutra de roda no chão, ficamos com a segunda. Escolhemos um belo pedaço de gramado, nesse parque que nos hospeda para ensaios de um futuro projeto.
Os dois dias variavam entre sol, nuvens e ameças terríveis de chuva. Com sorte nesse final de semana, fizemos com um tempo agradável formando uma grande roda de interessados. Com o gramado e um bom isolamento acústico o público pode se espalhar e tomar grandes distâncias para acompanhar a peça. Bicicletas e cachorros disputando espaço no chão concluiam um clima gostoso de passeio no parque para acompanhar nossa saga.
Acho que essas condições favoráveis, muitas vezes desconsideradas, tornam o espetáculo muito mais prazeroso e potencializam a relação com a platéia. As dificuldades de realização da peça ficam pra segundo plano e o conteúdo ganha força.
Principalmente agora, que estamos cada vez mais imersos numa situação política quase metalinguística, em que os debates se configuram como agressões espetacularizadas, que as caricaturas parecem estar se levando a sério e nossa farsa se aproxima de uma tragédia.
Considerando as perguntas de interessados depois da peça, e refletindo com o fim dessa segunda temporada conseguimos uma proeza. Nossa análise parece muito atual há mais de um ano, sem necessidades de adaptação. De alguma forma conseguimos sintetizar conflitos e questões que são atuais e se mantém para além de análises imediatas. Resta saber por mais quanto tempo nossa politica seguirá repetindo os passos de nosso roteiro.
Seria bom pensar um dia que nossa peça não é mais necessária. Mas como diria nossa mascarada Sociedade: “teatro não muda nada”. Então que pelo menos apresentar continue a ser um ritual prazeroso e divertido. Se é difícil interferir na estrutura, arranjar brechas dentro dela sempre será uma atividade criativa. Outros mundos são possíveis. E necessários.

Pedro Granato