ceu inácio monteiro 10 e 11 de setembro

INACIO MONTEIRO – Z/L – 1992 / 2005

Dentre outros elementos que fazem do meu trabalho junto ao grupo do IVO 60 muito gratificante soma um ocorrido muito valioso para mim como arquiteto: deparar com o retorno aos CEUS, tendo passado muito pouco tempo desde meu envolvimento com o projeto, dentro do Departamento de Edificações da cidade de São Paulo – EDIF.
O CEU Inácio Monteiro é o pioneiro dentre os CEUs, é o protótipo de um projeto integrado de arquitetura e pedagogia, como tivera sido no convênio escolar, na década de 50 – quem já viu o teatro João Caetano, ou a escola Brasílio Machado, na Vila Madalena? Então, essa era a periferia de São Paulo naquela época. “Um náufrago”, já dizia o arquiteto Alexandre Delijaicov, sobre o Inácio Monteiro. Que encalhou no canto do mundo, cercado por casinhas coloridas gritantes, COHAB’s, CDHU’s, BNH’s, onde não havia nada senão uma cidade dormitório.
Foi no governo de Luíza Erundina, na verdade que o projeto dos CEUs começou, com o Inácio Monteiro. E o que torna ainda mais relevante chamar atenção para esse fato é que um dos primeiros elementos, sempre presente no projeto desses espaços fora a praça do teatro. Mesmo que esse não fosse um dos programas obrigatórios pelas secretarias da prefeitura.
Para mim, isso só pode significar uma coisa: o poder explosivo da expressão artística quando voltado para fora, saindo da caixa cênica (o projeto original do teatro presumia uma grande abertura em portas de garagem para a praça do teatro), ganhando muito mais vida e justificativa. A perfeição desse momento em que eu vejo os integrantes do IVO 60 tomando conta desse espaço que precisa ser tomado é quase inacreditável, e me sinto muito afortunado e feliz por ter feito parte desse processo, até mesmo quando tive que constatar erros de projeto, que a falta de diálogo causou – como quadras poliesportivas acima de teatros, causando um som terrível! E o que torna o trabalho que esse grupo de artistas ainda mais incisivo nesse espaço é a vontade de fazer dele uma praça viva, maior que um telecentro, uma escola, piscinas e teatros. É um lugar de encontro, para ver a Gozolândia.
Agora é rezar para não ter sido esse grupo um dos últimos: os teatros já estão danificados, materiais foram roubados, a tinta já está descascando, as goteiras aparecendo e o piso descolando. Somente a vontade do todos mantém esse lugar de pé.

Luiz Ricardo Florence, cenógrafo e web designer do grupo

As duas apresentações nesse CEU foram muito bacanas, e temos que agradecer ao Circo Escola Picadeiro que montou uma grande estrutura de circo para as crianças menos interessadas em teatro... Porque quem assistiu foi muito concentrado e atencioso com o grupo. IVO 60