| ceu pêra marmelo | 6 e 7 de agosto |
| Rua Pêra Marmelo, 226 - Vila Aurora Z/N | |
O espaço de apresentação foi o foco maior da nossa aprendizagem
neste CEU.
Aprendemos alguma coisa valiosa sobre acústica de ambientes externos.
E aprendemos, diferente da maior parte das vezes, acertando.
O aparente sucesso das duas apresentações neste fim-de-semana
se deve, em grande parte, às mudanças acertadas na dramaturgia
ou na encenação. É bom perceber uma mudança que
dá resultado – seja feita durante as semanas, nos ensaios, ou
quinze minutos antes, no teatro do CEU.
O discurso do Nascimento antes da expulsão da Mama e da Gardenice,
o blá-blá-blá sobre o Destino não ser o culpado
e a saída da Sociedade no fim da peça.
As músicas melhoraram muito, estávamos mais entrosados em relação
ao ritmo. Por que será que nos escutamos muito mais, abrindo possibilidade
de novas improvisações estarem integradas ao todo da dramaturgia?
Acho que um fator relevante foi o posicionamento da platéia, algo sobre
o que sempre nos debruçamos, mas que só agora toma proporções
reais. Diferente das apresentações anteriores, aqui o público
estava realmente disposto de maneira a potencializar o alcance do nosso “conteúdo”
(efetivamente, por conta de amplificar nossas ações e textos,
ou seja, a “forma”) e valorizar a participação ativa
da platéia.
Embora a explicação possa parecer teórica e formal, os
resultados dessa nova disposição dos espectadores são
evidentes no momento do evento teatral: é uma questão simples
de perceber sua voz alcançando o ouvido do público, seus gestos
e ações alcançando os olhos e percepção.
Descobrir o quanto nosso trabalho pode atingir níveis elevados de abstração
e reflexão é também perceber o quanto o público
está preparado para qualquer tipo de discussão (talvez discussão
não seja o termo adequado, uma vez que trato também aqui de
interesse pelo diálogo sem palavras, que se dá de maneira sutil
e quase incompreensível). Acredito que uma boa parcela desta disponibilidade
venha do fato de que tivemos um público composto por adultos e muitos
jovens de grupos de teatro amador/vocacional – salve, Ladrões
de Foco e ex-Voca do Pêra.
Formação de público também faz parte do nosso
trabalho, na periferia, no centro, onde quer que seja.
Por fim, a disposição do público, em semi-arena ou para
a reflexão coletiva, é uma questão que, com o CEU Pêra
Marmelo, torna-se mais tangível.
Nossa busca pelo espaço continua. Luta pelo espaço com boa acústica,
espaço para o diálogo, espaço cultural e educacional.
Espaço público.
Pedro Felício - ator e músico





