ceu pêra marmelo 6 e 7 de agosto
O ESPAÇO, A FRONTEIRA FINAL...

O espaço de apresentação foi o foco maior da nossa aprendizagem neste CEU.
Aprendemos alguma coisa valiosa sobre acústica de ambientes externos. E aprendemos, diferente da maior parte das vezes, acertando.
O aparente sucesso das duas apresentações neste fim-de-semana se deve, em grande parte, às mudanças acertadas na dramaturgia ou na encenação. É bom perceber uma mudança que dá resultado – seja feita durante as semanas, nos ensaios, ou quinze minutos antes, no teatro do CEU.
O discurso do Nascimento antes da expulsão da Mama e da Gardenice, o blá-blá-blá sobre o Destino não ser o culpado e a saída da Sociedade no fim da peça.
As músicas melhoraram muito, estávamos mais entrosados em relação ao ritmo. Por que será que nos escutamos muito mais, abrindo possibilidade de novas improvisações estarem integradas ao todo da dramaturgia?
Acho que um fator relevante foi o posicionamento da platéia, algo sobre o que sempre nos debruçamos, mas que só agora toma proporções reais. Diferente das apresentações anteriores, aqui o público estava realmente disposto de maneira a potencializar o alcance do nosso “conteúdo” (efetivamente, por conta de amplificar nossas ações e textos, ou seja, a “forma”) e valorizar a participação ativa da platéia.
Embora a explicação possa parecer teórica e formal, os resultados dessa nova disposição dos espectadores são evidentes no momento do evento teatral: é uma questão simples de perceber sua voz alcançando o ouvido do público, seus gestos e ações alcançando os olhos e percepção.
Descobrir o quanto nosso trabalho pode atingir níveis elevados de abstração e reflexão é também perceber o quanto o público está preparado para qualquer tipo de discussão (talvez discussão não seja o termo adequado, uma vez que trato também aqui de interesse pelo diálogo sem palavras, que se dá de maneira sutil e quase incompreensível). Acredito que uma boa parcela desta disponibilidade venha do fato de que tivemos um público composto por adultos e muitos jovens de grupos de teatro amador/vocacional – salve, Ladrões de Foco e ex-Voca do Pêra.
Formação de público também faz parte do nosso trabalho, na periferia, no centro, onde quer que seja.
Por fim, a disposição do público, em semi-arena ou para a reflexão coletiva, é uma questão que, com o CEU Pêra Marmelo, torna-se mais tangível.
Nossa busca pelo espaço continua. Luta pelo espaço com boa acústica, espaço para o diálogo, espaço cultural e educacional. Espaço público.

Pedro Felício - ator e músico