| ceu rosa da china | 23 e 24 de julho |
| Rua clara Petrela, s/n° Sapobemba Z/L | |
Foi no CEU Rosa da China que parimos a peça, depois de alguns ensaios
abertos e muitos “passadões” para nossos colaboradores.
Nossa dramaturgia era muito recente, estava sempre mudando, porque tentávamos
dialogar com a velocidade dos fatos que estavam pipocando em nossa política.
Esse CEU foi um pouco prejudicado porque não tinha nenhuma atividade
de férias, assim como escolas da região. Isso prejudicou bastante
a divulgação, e nossas apresentações acabaram
tendo um público de mais ou menos 70 pessoas por dia (normalmente temos
pelo menos 100 pessoas).
No sábado, logo de cara, tivemos a participação do público
já na corda. Havia muitas crianças pulando com a gente em nosso
aquecimento. A peça começou e com o movimento do “carrinho/navio”,
posicionamos o público em um morrinho, que funcionou como uma espécie
de arquibancada. O público ficou confortável, era a melhor forma
de assistir a peça. Porém, a peça fora pensada para semi-arena,
e essa formação da platéia acabou esfriando um pouco
a relação.
Mesmo assim o público, principalmente infantil, se mostrou bem animado,
participando com pulos, gritos, palmas e até vaias, para candidatos
mais “antipáticos”. Percebemos o poder e fascínio
que a candidata Mama, seu axé e suas propostas populistas provocavam
nas pessoas. Ela tinha poder de controlar a criançada como uma grande
mãe, e conseguimos usar isso bem a favor da peça nesse dia.
Na hora da votação, Mama venceu as eleições de
lavada. Mas após expressiva votação, ela fez uma aliança
com seus dois adversários e todos foram para o poder. Essa reviravolta
dramatúrgica da peça fez o público se frustrar bastante.
Isso nos fez questionar se essa frustração temática realmente
valia a pena ou se o público ficava frustrado com a própria
peça (em outros CEUS, com a peça atingindo maior maturidade,
percebemos que sim).
A parte final da peça, um pouco mais cerebral, foi mais difícil
pra criançada que, no entanto, acompanhou até o fim. Mesmo assim,
ainda parecia haver gorduras em algumas cenas, que foram sendo tiradas com
a peça ficando mais madura.
No domingo, boa parte do público foi gente que já tinha assistido
no sábado. Nesse dia, tentamos armar o público longe do morro,
e em semi arena. Porém, o público preferia ficar centralizado,
simulando um palco italiano. O momento em que a organização
do público ocorria, não permitiu que insistíssemos para
eles ficarem na formação “correta”. Isso foi uma
lição que nos ajudou muito para os outros CEUS, quando aprendemos
macetes de como ajeitar o público, como nos dirigir a eles de forma
simples, sem precisar ser autoritário.
Nesse dia, o fator ambiente foi desfavorável: estava muito frio. Isso,
somado à disposição espacial do público (que não
estava nem no morro nem em semi-arena), fez com que tivéssemos uma
recepção menos calorosa que no dia anterior. Porém, isso
foi bom para percebermos quais eram nossos momentos fortes, que mesmo em situação
desfavorável, funcionavam e levantavam a peça. Sendo uma peça
ao ar livre, com pessoas que passam, conhecer e saber manipular esses momentos
ajuda a peça a manter o público e se possível, aumentá-lo.
Pudemos também confirmar quais os momentos que, ao contrário,
estavam “inchados”, e nos faziam perder a atenção
do público. Isso foi sendo arrumado para os outros CEUS e deixando
a peça cada vez mais redonda.
Esta foi minha versão oficial dos fatos. Se quiser ver um registro
sem censuras e pudores, visite o meu blog em www.ivo60em2005.zip.net
Felipe Sant'angelo - ator





