ceu são rafael 20 e 21 de agosto

São Paulo é mesmo uma cidade enorme.
Se o máximo que o “povo do centro” conhece da Zona Leste é o Shopping Metrô Tatuapé eles estão bem longe do CEU. Ainda bem. Os CEUS ficam realmente na periferia da grande metrópole onde a população mais carente reside.
Dias 20 e 21 de agosto estivemos num lugar muito distante do centro, quase no fim da enorme Avenida Sapopoemba, no CEU São Rafael.
Estamos percorrendo tantos CEUs que tem nomes tão diferentes e como sempre perguntam porque o IVO 60 chama IVO 60 fui pesquisar quem foi esse tal São Rafael. Alguma relação pode ter com nossa passagem naquele lugar. Relações sempre existem.
São Rafael é um Arcanjo (anjo) e seu nome significa "Deus te cura". Ele é o guardião da saúde. E além de influenciar na saúde física dos seres humanos, este arcanjo também age sobre a saúde do espírito, ou seja, está sempre procurando confortar as pessoas nas horas de desespero e acalmar os sofrimentos interiores. Além disso, também é o responsável e guardião dos talentos criativos.
Uau! Nossa! Incrível! Sabia que poderia encontrar o princípio de alguma explicação. Ou não.
As apresentações deste CEU foram singulares, únicas, mas isso não é totalmente ruim.
No primeiro dia escolhemos muito mal o lugar da apresentação: uma corrente de vento queria levar nosso cenário embora. Foi necessário que alguém ficasse segurando o tempo inteiro! Mais um vez obrigada.
Muitas crianças estavam neste dia no CEU (como sempre, em todos os CEUs muitas crianças) e prestaram uma atenção que nunca imaginávamos possível. O leitor entenderá o motivo.
No domingo, assim que chegamos, elas estavam lá, prontas para participarem da farsa. A farsa que se pretendia democrática acabou sendo sei-lá-eu-o-quê. Não que isso seja ruim. Não mesmo.
A personagem Dona Mama virou a Xuxa das crianças (como é difícil ser uma Sandy). Aproveitou sua popularidade para tirar foto com as crianças (todas!), “fez aleluia” (arremessando os brinquedos para o alto) e causando a ‘revolução infantil em busca de um apito de beijo’. O narrador aproveitou e deu água para as crianças que fizeram ‘guerra d´água’ (claro, eu também faria). Dona Mama foi carregada pelas crianças na hora da vitória! Isso foi muito massa!!
Gardenice se consagrou a inimiga número um do público infantil. Foi vaiada, atiraram papelzinho nela e o pior aconteceu quando ela recebeu a mala de dinheiro e as crianças (todas!) resolveram correr atrás dela. Só o segurança do CEU conseguiu salvar nossa sinistra ministra.
Nessa bagunça toda (mas que com certeza estava divertindo as crianças) não foi possível terminar a CPI. Mama e Gardenice foram expulsas sem um julgamento completo.
A peça acabou. E a reflexão começou. Qual o limite de abertura para participação do público na peça? Como controlar as crianças? Como ter espaço de improvisação dentro da marcação?
Dúvidas, questões, reflexões que serão respondidas (ou não. Eu ainda acho que é uma pesquisa pra vida toda) nos próximos CEUs.
E o IVO 60 pode pedir ajuda ao Santo. Ou aos Santos.

Mariana Leite - atriz