ceu vila atlântica 24 e 25 de setembro

CEU Vila Atlântica

Chegamos ao CEU no sábado, para mais uma jornada de trabalho. Como de praxe, houve uma pequena dispersão do grupo para procurar a produção do CEU, abrir o camarim e etc., pois nem sempre (quase nunca) a “equipe” de produção nos recebe de cara, como gostaríamos.
Fiquei observando a vista que se tem do CEU, que fica num topo de morro, com vista para um vale de casinhas, barracos, emaranhados por uma aridez típica de bairro de extrema periferia. Há uma porção de barracos quase grudados à fachada lateral do CEU, e pensei que isso seria interessante por permitir que a comunidade realmente se aproprie do espaço (pela rara proximidade). Mas não é o que de fato acontece.
Comecei a “filipetar”, através da grade, para alguns “gatos-pingados” que passavam do lado de fora, na ruela de terra que liga esses barracos. Uma delas trocou: eu dei uma filipeta da peça e ela me deu uma “oração para o Senhor”. Do lado de dentro do CEU não passava ninguém, a não ser funcionários da limpeza e uma ou outra criança.
No teatro estava sendo passado o filme “Os Incríveis” no telão. E pasme! Apenas 3 ou 4 crianças e um jovem na enorme platéia vazia.
Depois de um bom tempo, achou-se a produção e o camarim foi finalmente aberto. Mais tarde soube que a produção não havia divulgado a peça nem mesmo colocado a faixa da Gozolândia na entrada do CEU (como se faz em todos). Saí do CEU para divulgar nas redondezas e, de fato, ninguém estava sabendo da peça.
No sábado, apesar de pouco público, tivemos uma boa apresentação. Já no domingo, chuva! Dentro do “foyeur” do teatro, a peça rolou, mas o público quase não apareceu. Pouquíssimas pessoas, na sua maioria trazidas quase à força pelo elenco. Mesmo algumas crianças que estavam dentro do CEU jogando bola na chuva, não pararam a brincadeira para ver teatro.
Só posso dizer que foi um fim-de-semana meio frustrante.

Ana Dupas, fotógrafa